Sinfonias recicladas: som catado no lixo

Por Raphael Roale em 31/10/2007

Não sou nenhum crítico musical, nem um cara muito entendido de música. Pra mim, se dá prazer é bom, é o que importa e pronto. Simples assim. Ser eclético me permite ouvir de tudo: de funk carioca à sertanejo goiano. E nestas minhas andanças pelo cerrado, tenho encontrado muita coisa legal.

Hoje me deparei com o Som Catado. Achei tão bom que resolvi dividir o prazer. Os caras fazem um som do cacete, absolutamente surpreendente. O Maestro Lincoln Andrade e seus doutores de geringonça fazem o inusitado: Baião de bolas de basquete, hip-hop de panelas, funk de lataria, frevo de bacia, embolada datilografada, samba de latas de aluminio. Matéria-prima? O lixo. Tudo made in Brasília. E quem foi o mané que disse que aqui só tem rock?

Confiram no vídeo abaixo, em especial as bolas de basquete. Vale cada minuto.

No site do SomCatado tem mais material disponível para download: mp3, vídeos, e a agenda do pessoal. Dias 16 e 17 de Dezembro vão tocar aqui em Brasília, lá no Marina Hall. Estarei lá. 

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E não é que o carioca foi dar no Ceará?

Por Raphael Roale em 29/10/2007

Sem trocadilhos, por favor.

Pesquisando por aí descobri que o Carioca no Cerrado foi citado na coluna Pop Up do caderno Zoeira do jornal Diário do Nordeste de Fortaleza, Ceará. Infelizmente no site do jornal não consta o nome do editor da coluna. Quem souber, me avise.

Confira a matéria completa.

[UPDATE 30/10/2007]

O editor da coluna é o Leonardo Fontes, do BlogueIsso! e que gentilmente cedeu a imagem da página.

Coluna Pop Up do caderno Zoeira do jornal Diário do Nordeste


Programa social ou assepsia governamental?

Por Raphael Roale em 29/10/2007

Uma das coisas que pude perceber aqui no Distrito federal é a atuação do governo. Na sua grande maioria, as ações que são anunciadas são cumpridas. E é isso que me preocupa.

© World Bank / Fernando BizerraUma ação do GDF (Governo do Distrito Federal) anunciada esta semana pretende tirar das ruas quem vive nelas. Agentes sociais vão tentar levar para pensões, pequenos hotéis e um albergue os moradores de rua por tempo indeterminado. Ao todo são 600 indigentes contabilizados, que vivem sob as marquises da rodoviária e debaixo dos viadutos da esplanada.

Mas e daí?

Daí que esses caras vivem de esmola. Dada por nós. E a pura e simples remoção das ruas, sem um programa que garanta para esses indigentes uma profissão através de cursos de capacitação, para que deixem de viver da esmola e sim de seu próprio trabalho, não vai adiantar em absolutamente nada. Vai ter neguinho saindo do albergue e voltando pra mendicância. Já que os burros já foram expulsos, agora é a vez da galera do “eu podia tá matando, eu podia tá roubando, mas tô aqui te chateando”.

Isso não é uma ação social. É um programa de assepsia governamental.

Todo governo de qualquer cidade do país possui ações e programas para tratar dos moradores de rua. Ou pelo menos deveria ter. Só que o sucesso dessas ações não está somente no fato dos moradores de rua não terem uma fonte alternativa de renda, como a esmola, para aceitarem a ação do Estado. Mas também na garantia de que estas pessoas terão como produzir e sobreviver independentes. Nessa o governo tem que entrar de sola.

Ou podemos esperar as meninas de saiote aos bandos rodando por aí.

Fonte: G1 e DFTV. Foto: Fernando Bizerra


Lo Dia Internacional de Hablarse Portuñol

Por Raphael Roale em 26/10/2007

Buenos dias, muchachos!

Como yo no sei hablar una pica de espanhol, e hoje és lo dia internacional de hablar portunhol, resolvi pedir ayuda ao google para me safar desta con muy estilo.

Lo Dia Internacional de Hablarse Portuñol

Lo que fiz és muy simples: yo peguei un testículo e lo submeti ao google translator, premero de português para inglês i logo para español. Pero no sei se esta bueno. Lo testículo original está aqui.

Hola …. rapaziada Dijeron que no he llegado, pero tengo golpeado. He oído que giro inteligente. Vamo!

Madre es madre, Paca Paca!

Pero las mujeres … Las mujeres … SONIDO! Cade el sonido! ? Atención banda!
Mi hijo … El regreso Cadê? No estoy escuchando a mi
Así no! Vamos a comenzar todo de nuevo!

Madre es madre, Paca Paca!

Pero las mujeres … Las mujeres … ¡NO! Plenario de la mujer a todos!

Mejorado!

Voy a pedirle que me deje vô interior. Voy a hacer una barba. Alguien tiene un gilete? U me heim! ?

Si desea hasta la fecha, que quiere ser su amigo. Si la palabra es que ni la liga. Pero si usted juega duro en el cruce, finge no ver, entonces es de cuatro que desea un zapato, o casarse.

Madre es madre, Paca Paca!

Asta la vista.


Burros com os dias contados no cerrado

Por Raphael Roale em 26/10/2007

Como pode a capital do Brasil, um exemplo de urbanismo, com uma média de 3 carros por família, ter em suas avenidas largas e bem planejadas uma horda de carroceiros levando tudo quanto é tipo de tralha no lombo? Quando aportei por aqui me assustei com este tipo de serviço, bastante comum nos bairros.

Pois bem, agora a coleta de papel e traquitanas na Esplanada dos Ministérios será feita com o uso de triciclos motorizados. Os veículos foram doados para 13 cooperativas de catadores de lixo. Desde agosto deste ano esses carroceiros não podem mais andar pelas ruas e estradas do DF.

Burro em Brasília
Vou sentir saudades da família…

Segundo dados oficiais, existem cerca de 6 mil “carroceiros” no Distrito Federal. Sem contar aqueles que migram das cidades satélites pra ganhar a vida por aqui. Eu mesmo já utilizei algumas vezes os serviços desses caras, que cobram de 10 a 40 reais por frete dependendo da distância e peso.

Triciclo motorizado no DF
Sou o burro motorizado

A pergunta que fica é: o que vai acontecer com os burros que andavam por aí? Vão para algum circo? Ou talvez encontrar a família no Senado…

Encontrado no G1


Visões do inferno

Por Raphael Roale em 24/10/2007

O trânsito pra mim é o inferno na terra. Se existe Deus de uma lado, do outro está o engarrafamento. A principal razão que me fez sair do Rio e morar em Brasília foi exatamente essa merda que me consumia. Bala perdida? Violência? Escracho? Tudo fichinha!

Hoje lavei a alma.

O túnel Rebouças, um buraco quente e fedorento que liga as zonas norte e sul do Rio, foi fechado devido a um deslizamento de terra pela chuva torrencial. Resultado? O trânsito na cidade parou, completamente. E EU NÃO ESTAVA LÁ!

Delizamento no Túnel Rebouças
Túnel Rebouças fechado

Tá! Tá! Sou um cara egoísta, a cidade ferrada e eu aqui de alma lavada. Nego morrendo e o escambau. Mas que se dane. Eu não estava lá! Passava todo dia neste buraco. Já esteve engarrafado por mais de uma hora dentro de um túnel? Eu já.

Engarrafamento na avenida Presidente Vargas
Avenida Presidente Vargas ferrada

E a melhor de todas: a maldita ponte Rio-Niterói. Entupida. Agonizante. E eu longe! A verdadeira visão do inferno. Sim, tenho pena da galera ali em cima. Mas e daí? EU NÃO ESTAVA LÁ!

Engarrafamento na Ponte Rio-Niterói
Ponte Rio-Niterói entupida

Fotos do O GLOBO, aqui e aqui.


Como iniciar os seus textos: seduzindo!

Por Raphael Roale em 23/10/2007

“Dói escrever pra ninguém ler”, como Declev diz. Eu sempre gostei de ler, desde moleque. Leio de bula de remédio à composição química de xampu no banheiro, quando a Turma da Mônica das crianças não está disponível. Até aquela bíblia que sempre deixam nos quartos de hotel eu leio. Daí pra gostar de escrever é um pulo. De nada adiantam os belos argumentos ou um conteúdo extraordinário se o leitor não for seduzido a ler o que foi escrito. E uma das formas mais eficientes – e, de longe a mais difícil – de conquista é a introdução do texto.

Tudo bem que tem vezes que a gente escreve apenas por escrever, e que se dane quem vai ler. Mas aprendi que existem algumas fórmulas que podem ajudar a seduzir na leitura de seus textos, nem que seja pela partilha da dor. Listo a seguir as que mais gosto e o que tem me seduzido pela blogosfera (detesto esse termo!).

Faça uma pergunta

Iniciar seu texto com uma pergunta além de usar nossa tentação natural pela curiosidade e despertar a atenção, também ajuda na sua argumentação: o desenvolvimento do texto fica mais fácil.

Bons exemplos:

Se é pra ser Miss Cangaíba, que seja com estilo
em Substantivolátil

Por que motivo, razão ou circunstância eu viria a me acabar de estudar na faculdade ou cuidar sempre de escrever textos no mínimo interessantes para a alegria geral da torcida, pra no final, acabar sem roupa numa revista?
Sinto pelas campanhas, por quem se submete e por quem espera e pede que eu participe. Em puro e bom português: talento também se mostra com roupa. E comigo, SÓ assim. Então, se é que isso é uma campanha, é aquela que nada contra a maré blogosférica. Playboy my ass, eu quero sair é na Rolling Stone! E tenho dito…

Leia o texto completo

Ou:

Severino’s Full Adventures
em Contraditorium

Vocês assistiriam um programa mostrando o dia-a-dia de um peão de obra? Ou as aventuras de pescadores da Colônia Z11? Ou o trabalho de construção da Vila do Panamericano? É, eu também não…

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Comece com uma narração

Essa é campeã. Iniciar o seu texto com uma narração é uma forma extremamente inteligente e surpreendente de seduzir o seu leitor. Podem ser utilizadas sequências de frases nominais, curtas, como lampejos cinematográficos. Também pode-se iniciar com uma narração de um fato, sequencialmente, dando maior realismo ao seu texto.

Bons exemplos:

Robocop da Pompéia
em Casa da Gabi

Tudo começou no domingo. Acordei com uma dorzinha chata no pescoço, daquelas de quem dormiu torta. Isso não me impediu de ir passear com Alê Félix e Guto. Eu deveria saber que isso não daria certo. Fomos ao Mercadão, onde ambos comeram um sanduíche de mortadela. Eu comi um pastel de palmito. Depois fomos à Liberdade. Comemos camarão, lula, doce, porção de camarão, camarão no espeto, bolinho de polvo e no fim pedimos água tônica para fazer a digestão num boteco no largo da Liberdade. A essa altura, estávamos acompanhados de um japonês, claro.  Porque eu acredito em passeio temático completo. E meu pescoço dolorido, dolorido…

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Ou então:

Soluções *Ic* para melhorar o mundo, porque não?
em Odeio e Justifico

Você está andando na calçada quando um outro infeliz está vindo na mesma direção que você. A calçada é movimentada, não há muita opção para passar e você, obrigatoriamente, terá que cruzar com ele em algum ponto de sua trajetória. Ele não parece que irá mudar de rumo, então você, que é inteligente e sábio, vai para sua direita quando chegar o momento. Coloquem os capacetes, teremos uma catástrofe aqui…

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Faça uma declaração surpreendente

Uma declaração forte no início do texto desperta interesse. Depois, explique. Exponha seu ponto de vista.

Bons exemplos:

Como conquistar uma mulher
em Hebdomadário Cultural

Após 34 anos de profundas análises, pesquisas, perguntas, experiências próprias, filmes assistidos e outras formas de recolher as mais variadas e confiáveis informações, acho que talvez, quem sabe, quiçá eu tenha entendido como agradar e conquistar uma mulher – e para sempre! Afinal, nada pode ser mais simples que a alma feminina…

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E mais:

O Diabo tem as costas largas
em Tarja Preta 

Bem como diria minha mãe, o Diabo tem mesmo as costas largas. Um crime aqui, outro acolá e voilà! De quem é sempre a culpa? Façamos uso então, de nosso senso histórico criminalístico. Começando por ninguém mais ninguém menos do que a matriarca da humanidade, Eva e o fruto proibido…

Leia o texto completo

Cite diretamente outro autor

Como no início deste artigo, a citação direta é muito utilizada. Também ajuda na argumentação de seu texto, que pode suas idéias relacionadas ao texto original. Traz mais credibilidade, já que outras pessoas tiveram a mesma linha de raciocínio.

Tente! Mas sem um conteúdo decente, não há milagres.

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Temporada de Escorpiões no Cerrado

Por Raphael Roale em 19/10/2007

Daqui a pouco tempo vai começar o período de chuvas aqui em Brasília. E quando isso acontecer, além do espetáculo tenebroso, será a temporada de doenças respiratórias, acidentes de trânsito e também do aparecimento de escorpiões dentro de casa.

Opa! Para tudo! DENTRO DE CASA?

Escorpião Amarelo Isso aí, meu chapa! Lembre-se que aquela área no passado era deserto puro. Só que esses caras se adaptaram à vida urbana e geralmente são encontrados em caixas de esgoto e de luz, onde encontra o seu principal alimento, as baratas. E tem nego morrendo de picada lá em Brasília. Eu mesmo já encontrei uns dois.

De acordo com a bióloga da Zoonoses Monique Knox, três espécies de escorpiões são comuns no DF: Tityus serrulatus, também chamado de escorpião amarelo e o mais presente na região, Bothriurus araguayae e o Tityus fasciolatus. São uma graça! Segundo dados do Correio Brasiliense em 2006, 122 acidentes por picadas de escorpiões foram atendidos em hospitais públicos do DF, sendo dois pacientes de Minas Gerais e 21 de Goiás

E olha que eu conheço quem não mataria um bichinho desses. Mas vai que ele tenta se explicar por aí…

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Embate entre Macgyver, Jack Bauer e o Capitão Nascimento

Por Raphael Roale em 19/10/2007

A história que relato abaixo ouvi de um outro amigo candango. Ok, tá todo mundo contando, mas não resisti.

Um dia quiseram ver quem era o melhor: Macgyver, Jack Bauer (logo depois de ser solto), ou Capitão Nascimento que tinha acabado de sair do set de filmagens de Tropa de Elite, dado umas porradas na mulher e seu filho recém-nascido não parava de encher o saco.

Chegaram então pro Macgyver, que há muito estava na geladeira e  sem emprego,  e falaram:  – A gente soltou um coelho nessa floresta da Chapada dos Veadeiros, ainda ardendo pelas queimadas.  Encontre mais rápido que os outros e você será considerado o melhor!

O Macgyver, então,  pegou uma moeda de 5 centavos no chão, um graveto e uma pedra e entrou na floresta. Demorou 2 dias pra construir um detector de coelhos em floresta e voltou no 3º dia com o coelho.

Daí chegaram pro Jack Bauer e falaram a mesma coisa.  Ele entrou correndo na floresta e 24 horas depois apareceu com o coelho.  Pediu desculpas porque teve que desarmar 5 bombas nucleares, recuperar 15 armas químicas, escapar de um navio cargueiro que ia pra china e matar 100 terroristas pra chegar até o coelho.

Daí pediram para o Capitão Nascimento ir buscar o coelho, que já tava puto com a apreensão de um lote de mil de seus bonecos falsificados.  Se ele demorasse menos de 24 horas ele seria o melhor.  No que ele respondeu:

–  Tá de sacanagem comigo 05?  Cê tá de sacanagem comigo?  Você acha que eu tenho um
dia inteiro pra perder com essa porra de brincadeira, 05?  Tu é mu-le-que! MU-LE-QUE, 05!!! 

Virou-se calmamente para a floresta e gritou:

–  Pede pra sair!!!  Pede pra sair cambada!!!

Em menos de 5 segundos ja tinham saído da floresta:  300 coelhos, 20 jaguatiricas,
50 jacarés, 1.000 paca-tatu-cotia-não, o Shrek e o monstro fumaça do Lost.

Daí ele gritou:

–  02, tem gente com medinho de sair da floresta, 02!
–  07, traz a 12 !

Bin Laden sai da floresta correndo.


Diário do Professor

Por Raphael Roale em 17/10/2007

Quer saber como andam se comportando as crianças nas escolas públicas do Rio? Quer saber como o professor acaba por não explodir com os pestinhas?  E ainda por cima realizar um trabalho de conscientização ambiental decente no meio do lixo?

Vale a visita ao Diário do Professor.

Vai ver esse cara tá precisando passar uns tempos aqui Brasília.


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