Acabei de ver o último episódio da temporada de Alice, série produzida pela HBO. Na história, Alice se muda do Tocantins para São Paulo por conta da morte do pai. Aí começam suas perambulações pela cidade grande, as festas, a loucura, novos amigos. Enfim, como a personagem da história de Lewis Carroll, um novo mundo se abre e a necessidade de se encontrar nesse espaço é o tema de toda a temporada – que recomendo sem erro pela direção, argumentação, trilha sonora e excelentes atores (nota 10 para a mineira Andréia Horta).

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Um ano se passa, e no último capítulo nossa Alice resolve voltar a Tocantins para resolver algumas questões sobre a mãe que morreu/não morreu lá pelas dunas do Jalapão. Resolvidas as pendengas, ainda no minúsculo aeroporto de Palmas, encontra um cara visivelmente nervoso e o seguinte diálogo se trava, mais ou menos assim:

Alice: – Tá nervoso?

Cara: – Tô. Primeira vez em São Paulo.

Alice: – Fica nervoso não. Você vai gostar.

Cara: – Você é de lá?

Alice: – Sou. Sou de São Paulo, sim.

Semana passada estive no Rio – em Niterói, na verdade -, coisa que faço pelo menos duas vezes por ano. Só que não me reconheci mais na cidade em que nasci, cresci, estudei, namorei, casei, tive minhas filhas. Percebi que não pertenço mais àquele lugar, me senti um estranho, as ruas, as pessoas, não me sentia confortável. Mesmo conhecendo cada milímetro daquele espaço que foi um dia todo o meu mundo, me perdi. Por dentro, não por fora.

A cidade me rejeitava, me expulsava, como se eu fosse um corpo estranho. E eu tentava me apegar a tudo aquilo de novo, com força, mas não conseguia me fixar. Não quero mais voltar pra ficar. Meu porto já está em outro lugar.

Sou candango, e vim para ficar.

 

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